Alex Dias Ribeiro

Saí acelerando forte da curva 3 do circuito de Watkins Glen nos Estados Unidos. Estiquei a terceira do Copersucar F-5 até o motor gritar espavorido na marca dos 9.800 giros e enfiei uma Quarta. Ao sacar rápido o pé da embreagem, senti nas costas o tranco dos 500 cavalos do Ford Crosworth, acompanhado de algo muito estranho: o volante saiu na minha mão com coluna e tudo!

Eu estava a mais de 200 km por hora! Numa atitude instintiva, empurrei o volante de volta e por um milagre consegui encaixá-lo no eixo da caixa de direção.

Voltei devagar para o box, sabendo que estava percorrendo os últimos metros de uma estrada que me levou a muitos lugares, muitas emoções, muitas encrencas, mas acima de tudo me permitiu fazer durante anos aquilo que eu mais gostava: dirigir um carro de corrida de "pé embaixo" e anunciar para o mundo que Cristo salva.

Entrei lentamente nos boxes, acionei os freios e as rodas do meu carro pararam de girar pela última vez. Era o fim de Alex Dias Ribeiro na Fórmula 1 e do CRISTO SALVA pelas pistas do mundo. Foi o fim de um sonho e de um ideal, a morte de um visão.

Quando coloquei o pé no chão dos boxes naquela manhã, estava pisando em uma realidade muito diferente da que havia desejado para a minha vida e para a minha carreira: eu que queria ser campeão do mundo estava abandonando o meu mundo como um derrotado. O sentimento amargo daquela manhã me perseguiu por alguns anos.

Depois que voltei da Europa, meu primeiro emprego foi na Eldorado, uma revenda Fiat em Brasília.

No final daquele ano de 81, lancei o livro Mais que vencedor, contando as muitas histórias que aconteceram comigo nas pistas. Depois comprei uma fazenda no norte de Goiás e plantei 50.000 pés de jojoba. Trabalhei três anos feito um condenado e vivi aventuras do tipo Indiana Jones.

Voltei às pistas no Campeonato Brasileiro de Marcas em 1984. No fim do ano pintou uma chance de voltar a correr na Europa, mas na hora os patrocinadores tiraram o time de campo e eu fiquei a pé de novo.

Desempregado, passei o ano de 85 jogando na Bolsa de Valores. Ganhei uma boa grana, mas quase pirei. Enquanto a Bolsa me ensinava de uma maneira prática por que a Bíblia diz que "onde estiver o tesouro do homem, ali estará o seu coração", passei a colaborar com o grupo de Atletas de Cristo de São Paulo, onde começavam a brilhar as estrelas de Silas e Müller. Acabei sendo convidado para assumir o cargo de diretor executivo de Atletas de Cristo, em março de 1986.

Depois de orar e pensar muito, resolvi fazer a "loucura" de abandonar todas as minhas atividades rentáveis e assumir em tempo integral a administração física e espiritual de Atletas de Cristo.

Foi necessário uma boa dose de fé para trocar tudo pelos vinte e cinco dólares por mês (30% do salário mínimo) que Atletas de Cristo podia me pagar a título de salário.

Meu plano inicial era dedicar três meses do meu trabalho na montagem de uma infra-estrutura para a organização e depois procurar um emprego que me permitisse conciliar as duas atividades. Até hoje, continuo me dedicando totalmente a Atletas de Cristo.

Muitos anos depois, ouvindo o testemunho de um goleiro do Atlético Mineiro, vim a descobrir que aquele cara maluco (eu) que na década de 70 vivia voando num carro a mais de 300 km por hora pelas pistas de todo o mundo chamou a atenção daquele goleiro, que tinha se encontrado com Cristo há pouco tempo.

O que mais intrigou o jovem goleiro foi o fato de aquele piloto trazer sempre em seus carros, capacetes e macacões o slogam CRISTO SALVA.

Na euforia de sua lua-de-mel com Deus, o goleiro comprou a idéia e apareceu em campo ostentando em sua camisa um CRISTO SALVA que teria passado desapercebido de muitos, se ele não fosse goleiro da Seleção de 79, 80 e 81. Por causa da polêmica gerada, as autoridades desportivas forçaram-no a retirar a mensagem da camisa, alegando que a legislação não permitia publicidade nos uniformes.

Um jovem centroavante que despontava como grande artilheiro, lá pelos lados de Goiás, teve uma experiência com Cristo e mudou de vida sem mudar de profissão. Ele continuou subindo na carreira e chegou até a vestir a camisa da Seleção.

Um dia ele leu no jornal a resposta do goleiro sobre o CRISTO SALVA na camisa: "Tiraram o nome de Cristo de minha camisa, mas não o tiraram do meu coração".

Quando os dois se encontraram tinham muita coisa para conversar e juntos resolveram erguer a bandeira de Cristo contra tudo e todos, no controvertido meio futebolístico brasileiro.

Ficaram conhecidos por milhões de torcedores como João Leite, o goleiro de Deus, e Baltazar, o artilheiro de Deus.

Só então percebi todo o tempo em que vivi, desde quando me apaixonei, ainda garoto, pelas corridas, até ascensão da Fórmula Ford à Fórmula 1, sempre correndo no vácuo de Cristo, nada disso foi em vão.

Mesmo que eu tenha tido que comer "o pão que o diabo amassou", na Fórmula 1, o fim da minha carreira contribuiu, de alguma maneira, para o início de Atletas de Cristo. Como uma semente que, morrendo na terra, germina em forma de planta e dá muitos frutos.

Hoje somos mais de seis mil atletas nas mais diversas modalidades, levando a mensagem de Cristo através do esporte.

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